quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Quinta feira da III Semana do Advento

Quinta, 15 de dezembro de 2011 

“O que fostes ver no deserto?” (Lc 7, 24)

O testemunho de Jesus sobre João Batista é fundamental para compreender a nossa postura no mundo de hoje. Isso por que muitas vezes nos confundimos entre meios e fins, invertemos a lógica de nossa vida e nos desviamos dos nossos verdadeiros objetivos, nos fixamos naquilo que deveria ser instrumento.
A figura de João como profeta e, mais do que isso, um profeta autorizado e confirmado pelo Senhor, fixa o seu valor como ponte entre Deus e os homens. Anunciar a vinda do Senhor, preparar o seu caminho, apontar para Luz, mais do que “habilidades” pessoais é sinal daquele que saber colocar-se em seu verdadeiro lugar.
Muitos procuravam João, não para ver as suas qualidades ou suas palavras “simpáticas”, mas porque sabiam que por meio dele encontrariam a luz, e assim o era. João não era a Palavra, a Luz nem o Messias, mas a voz que anunciava essa Palavra, a mão que apontava a Luz, o homem que foi um dos primeiros testemunhos do Messias.
Em um mundo marcado pela “idolatria” de coisas, pessoas e idéias, somos chamados a olhar a realidade que nos envolve como uma ponte, como um sinal da manifestação amorosa e redentora de Deus para conosco. Nesse caminhar, não podemos parar no meio da estrada, é preciso andar, ir mais além, nesse caminho de encontro com a Palavra, feito homem, posto aos nossos olhos como luz.

Quarta feira da III Semana do Advento

Quarta,14 de dezembro de 2011

“Andai e dizei a João isto que vistes e ouvistes” (Lc 7, 22)

A experiência com Cristo, antes de tudo, é um encontro interpessoal. Não estamos mais falando de filosofias, de ideologias ou de doutrinas, mas de uma pessoa viva e atuante na história. A diferença desse encontro está no fato de que ele muda a vida de todo aquele que o realiza, converte todo aquele que se aproxima dessa experiência de vida.
Porém, se falamos de um encontro interpessoal, onde podemos encontrar essa pessoa? Se acreditamos que esse encontro acontece na história, onde nós podemos realizá-lo? E se professamos que essa aproximação muda a nossa vida, como podemos entrar em comunhão com ele?
O mistério do Natal que esperamos e para ele nos preparamos apresenta em síntese esse projeto. Deus vem até os homens, mas esse encontro ultrapassa as nossas projeções, vai além de nossos projetos, é maior que nossas esperanças. O nascimento de Jesus é o maior sinal de que Deus se faz presente no nosso meio, em um modo que não compreendemos, em um tempo que não esperamos e de uma forma que, muitas vezes, desconfiamos.
Aproximemos do Natal com essa expectativa de encontro: Deus quer entrar em nossa vida, Ele quer desenvolver um encontro pessoal conosco, mas nós devemos aceitá-lo. E para que isso ocorra é necessário ver e ouvir a proclamação do Deus que nasce em uma noite fria, em um espaço simples, mas no calor amoroso de seus pais.

Terça feira da III Semana do Advento

Quarta, 14 de dezembro de 2011

“Os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino dos Céus” (Mt 21, 31)

O mistério que estamos para celebrar é projeto de redenção humana: Deus vem salvar os homens. Porém, só pode ser curado aquele que precisa de cura. Só pode voltar para o caminho certo aquele que se encontra desviado. E, acima de tudo, só pode converter-se aquele que sabe que está em errado, mas deseja voltar.
Deus não se revela para que nós nos tornemos mais inteligentes no seu conhecimento, mas para manifestar o seu projeto de amor aos homens. Esse amor, por ser pleno, deseja e realiza a salvação daquele que é amado. Mas nós, estamos dispostos a abraçar esse amor? Estamos dispostos a realizar esse encontro que exige e plenifica a nossa liberdade?
Tenhamos a coragem de caminhar ao encontro do Deus menino que vem ao nosso encontro, não por que merecemos, mas para manifestar um desígnio de amor. Voltemos o nosso olhar para a manjedoura, e vejamos nela a realização de um projeto: Deus se faz homem para que os homens, afirmando essa realidade, façam-se divinos.

Segunda feira da III Semana do Advento

Quarta, 14 de dezembro de 2011

“Eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas” (Mt 21, 23)

Jesus Cristo está acima de toda lógica humana. Ao ser questionado sob a sua autoridade, Ele aponta a resposta para os fariseus sem reponde-la. Independentemente da interpretação que retirassem da obra de João Batista, um fato era certo: em sua atividade, ele estava sempre apontado para a vinda do Cristo.
Tudo isso aponta para uma verdade definitiva de nossa fé: toda mudança de vida é obra de Deus. Ou quando Ele intervém diretamente na história ou quando o homem busca, com todas as suas forças a sua vitória, com os olhos fixos em Deus, sempre estaremos diante de um mesmo projeto: Deus nos ama e quer a nossa salvação. E não há necessidade de argumentação ou provas para isso, basta olhar a história humana.
Olhemos Cristo, ícone do encontro entre Deus e os homens. É nesse “assumir” a nossa humanidade que Deus nos salva. É nesse “tocar” as nossas feridas que Deus mostra a sua autoridade, porque confirma a obra que Ele realizou com as suas próprias mãos. Esse toque, implica arriscar-se, arriscar-se que significa amor, amor que exige entrega, entrega que apresenta uma Palavra de Vida, Vida que é Plena e Eterna.

Dinâmica da Luz


Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz (Jo 1, 8)

Vivemos em um mundo de muitas luzes. Luzes que chamam à nossa atenção, são as luzes da tecnologia, das riquezas, da moda, do prazer, das filosofias, das imagens e das pessoas. Essas luzes precisam sempre de energias que motivem a sua iluminação, precisam de força para continuar acesas. Do contrário, se apagam...
Onde encontrar, então, alguma que possua luz própria? Com certeza será algo que não tenha necessidade de nada nem ninguém. Que não precise de justificativas nem argumentações, forças ou energia para sobreviver. Essa luz é, sem dúvida, a Palavra de Deus. Ela é guia, em uma caminhada tão confusa e tão cheia de altos e baixos como é a nossa vida.
João Batista soube compreender e entrar bem nessa dinâmica da Luz. De fato, “ele não era a luz”. Em um mundo que idolatra pessoas, coisas e idéias ele afirmou bem o seu lugar: “veio para dar testemunho da luz”. A sua grandeza não estava na riqueza de sua função, mas por apontar aquele que era a Palavra de Deus, Luz para os homens.
E qual a função da luz? Mais do que nos fazer enxergar as coisas, ela projeta-se a si mesma em direção aquilo que está perto de si. Ou seja, não vemos as coisas por si mesmas, mas o reflexo da luz que toca a matéria. Por isso, só podemos ver as coisas quando há luz e quando elas estão próximas a luz.
Cristo é luz por que nos faz enxergar verdadeiramente as coisas. Por meio dele e do Espírito que dele procede, podemos ver a realidade ao nosso redor, não segundo os nossos quereres, mas segundo o projeto de Deus Pai. O mundo que nos envolve torna-se mais claro, mais definido quando olhamos para ele sob o impulso de Jesus, Palavra Viva do Pai.
Olhemos para Maria. No Plano Divino da encarnação ela soube colocar-se como lâmpada, instrumento pelo qual o Espírito do Senhor vem, toca e transforma a realidade desejada. Ela, fazendo-se serva, deu à luz em seu próprio ventre àquele que foi a Plenitude da Verdade. Verdade que era gerada na história por meio da Sagrada Revelação.
Que nesse tempo do Natal que se aproxima, possamos entrar nessa dinâmica da Luz, do Cristo-Palavra que dá um sentido novo e pelo à nossa humanidade. Por meio dele aprendemos sempre a colocar as coisas em seu devido lugar, dar a cada um o seu devido valor e a colocar Deus no centro de todas as coisas, para que tudo, Nele, tenha Luz.

Sábado da II Semana do Advento


Quarta, 14 de dezembro de 2011

Elias já veio e não o reconheceram (Mt 17, 12)

Olhar para o mistério do Natal do Senhor que se aproxima, antes de tudo, é viver em uma experiência de humilde expectativa. Isso porque o projeto de encarnação do Filho de Deus sempre ultrapassa a nossa lógica, vai sempre além de nossas explicações, foge aos nossos raciocínios.
Não reconhecemos João Batista e Aquele que ele aponta porque queremos sempre um Deus que se enquadre às nossas esperanças. Queremos um Deus que atenda às nossas expectativas e os nossos quereres. E quando isso não acontece, o negamos, rejeitamos o seu projeto e colocamos de lado as suas propostas.
Saibamos entrar na dinâmica do Natal. Esse tempo nos ensina a pedagogia de um Deus que entra na história e nos ensina que o caminho rumo à sua Palavra de Vida é o da humildade. Essa simplicidade de uma vida verdadeira nos aproxima de uma existência mais humana, afirma aquilo que realmente somos e para o qual somos: terra, modelada pelas mãos de Deus, à sua imagem.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sexta feira da II Semana do Advento

Sexta, 9 de dezembro de 2011

A sabedoria é reconhecida justamente pelas obras que ela cumpre (Mt 11, 19)

Vivemos em um mundo de muitas imagens. Figuras, pessoas, palavras que nos chamam à atenção e nos confundem na nossa busca pela verdade. Somos chamados, entretanto, sempre a retomar esse caminho e acertar o nosso passo, firmes na sabedoria de Deus. Essa sabedoria foi resumida em Seu Verbo, pronunciado na história.
Não estamos mais falando não mais de uma adesão teórica de uma idéia, mas de um projeto de vida fundado em uma Pessoa. Esse “modus essendi” é luz que nosso mundo tanto tem necessitado. Não somos a religião do livro, dos dogmas ou dos ritos, mas de uma Pessoa. Não de uma pessoa qualquer, mas de uma Palavra de Vida que, pronunciada no tempo, se fez homem.
Somos chamados a seguir essa Palavra Humana, a sermos reflexos da luz que dela emana. Devemos mostrar aos homens essa sabedoria que provém de Deus, mas que o mundo custa a entender. Somos convocados a divulgar essa Palavra em nosso mundo com nossa própria vida.
Caminhemos, seguindo essa mesma luz que era referência para os reis magos. Certos de que aquele sinal era divino, eles confiaram e conseguiram compreender e abraçar a sabedoria divina que se materializou no mistério do Natal do Senhor. Sigamos essa luz, olhos fixos nesse Verbo que deseja tomar forma em nossa realidade.