quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria

Quinta, 08 de dezembro de 2011
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 38)

Celebrar a Solenidade da Imaculada Concepção de Maria é saber se colocar diante do mistério do Deus Vivo que se revela aos homens de forma amorosa. Deus vem até nós e, para isso, prepara uma digna habitação para Si. Como Deus, Ele não vem de qualquer forma, mas precisa de um espaço que o acolha.
Maria foi esse local privilegiando onde Deus se fez homem. O seu “faça-se” aponta-nos a sua grande humildade, mais, o seu total esvaziamento para que Deus pudesse habitar plenamente em sua vida. Ela fez-se “serva”, soube colocar-se aos pés de Deus e se abrir ao cumprimento de todo o projeto de Deus.
Maria corrige o erro de Eva. Ela não se corrompe com o mal, ela não dialoga com as “inteligências” do mundo, seus olhos e sua vida estão sempre direcionados para Deus e o seu mistério de amor. Maria é sim, a nova Eva, ela assumiu aquela maternidade que foi corrompida pelo pecado, ela refez esse projeto quando foi criada “cheia de graça”.
O que Deus faz em Maria, por antecipação, quer fazer também conosco. Como afirma São Paulo: “fomos escolhidos antes da criação do mundo para ser santos e imaculados diante dele. (Ef 1, 4). A graça que foi dada de forma plena em Maria nos é sinal e esperança de uma humanidade de abraçar o projeto de Deus.
Como? “No amor”, afirma São Paulo. Maria é para nós ícone desse amor que se fez pleno e, assim sendo, fez-se carne, projeto vivo de uma proposta de redenção de um homem que se mancha com o mal.
Celebrar Maria, Cheia de Graça, nesse tempo de Advento é, antes de tudo, acenar para essa grande espera, esperança ativa daquele que aguarda e prepara tudo o necessário para que Deus possa habitar em nosso maior. Façamos de nossa vida esse “lar” que acolhe a Palavra de Deus que buscar fazer morada no meio de nós. Olhemos, ouçamos e falemos como Maria:
“Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38).

Quarta feira da II Semana do Advento

Quinta, 08 de dezembro de 2011

“O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 30)

Jesus não vem para retirar as dores do mundo, mas para dar-lhes um verdadeiro sentido. Estar em comunhão com Cristo não significa estar isento de problemas ou sacrifícios, mas com ele aprendemos a vê-los como possibilidade de afirmação da vida, caminho de glorificação.
Em um mundo de tantas dores, dificuldades, injustiças somos muitas vezes levados a buscar uma cultura do prazer. Prazeres que nem sempre satisfazem de forma plena, que dão uma falsa sensação de segurança. Essa fuga, entretanto, transforma-se em negação de nossa própria realidade, em negação de nossa própria vida.
Jesus não se apresenta como fuga da realidade, mas como pronto de chegada, esperança para a qual deve convergir todos as nossas ações. Ele possui um “peso” e um “fardo” que é diverso desse mundo, por que é o peso de nossa própria vida levada à sério, na humildade e na verdade.
Olhemos para Cristo como esse repouso para o qual devemos caminhar. Ele não tira os nossos pesos, mas nos ajuda a compreendê-los, ele não retira as nossas feridas, mas faz com que suas cicatrizes nos sirvam de ensinamento. A cruz que ele nos apresenta é possibilidade de afirmação de uma vida entregue em sacrifício, por amor.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Terça feira da II Semana do Advento

Terça, 06 de dezembro de 2011

“Essa é a vontade do vosso Pai que está nos céus,
que nenhum desses pequeninos se percam” (Mt 18, 14)

O Evangelho apresenta a imagem do Pastor que vai em busca da ovelha que está perdida. Todo o seu esforço se direciona para aquela que precisa dos seus cuidados, para aquela que está afastada de seu zelo.
Da mesma forma o pecado, como um afastamento da vontade divina, é um distanciamento do amor de Deus Pai. Esse distanciamento é, porém, curado por esse mesmo Deus que é amor. A imagem do Pastor que busca a ovelha perdida responde e completa a imagem do Pai que usa de misericórdia para com os filhos que se dispersam.
O Amor que protege, a Justiça que busca e corrige o caminho e a Misericórdia que acolhe quem está em situação de desvio é sintetizado na pessoa de Jesus Cristo, Bom Pastor e Imagem visível de Deus Pai. Em Cristo, Amor, Justiça e Perdão são conciliados.
Olhemos para o Natal de Nosso Senhor que se aproxima e vejamos nele o amor de um Pai que se revela aos filhos. Esse é amor de misericórdia por que quebra todas as barreiras lógicas, teológicas e materiais. É uma misericórdia que cumpre a justiça necessária ao pecado, por que toca uma humanidade ferida, e a refaz.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Segunda feira da I Semana do Advento

Segunda, 05 de dezembro de 2011 

Desceram o paralítico, com a maca, no meio, diante de Jesus (Lc 5, 19)

Nosso pecado é, de diversas formas, uma negação da centralidade de Deus em nossa vida. Não queremos que Ele diga-nos o que fazer, como fazer ou aonde ir. Entretanto, nessa busca por uma liberdade sem limites nos tornamos paralíticos, estagnarmos em nossas próprias vontades, desejos e pensamentos. Tornamos-nos escravos de nosso próprio ideal de vida.
A imagem do homem paralítico que desce do alto e vem até Jesus apresenta-nos uma humanidade que, para se tornar perfeita, não precisa assumir uma realidade que não é a sua, mas que deve abraçar aquilo que lhe faz plena. O homem não desce em qualquer direção, mas até Jesus, até aquele que soube assumir a nossa humanidade.
É nesse momento que ocorre a cura, a conversão e a libertação daquele que se encontrava no afastamento de Deus. Ele não foi libertado apenas de um estado de orgulho, mas também de uma paralisia que o deixava escravo dentro de si mesmo.
Façamos esse percurso dentro de nossa vida. Busquemos, nesse período de advento, esse trajeto e desçamos do estado de uma humanidade que busca endeusar-se. Tracemos esse projeto de encontro com um Deus que se faz homem e mostra-nos o caminho de uma vida livre, plena e feliz.

Um sim à Palavra

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele (Mc 1, 3)
Vivemos em um mundo de muitas vozes. Aquelas que são pronunciadas pela política, pela economia, pela mídia, por discursos relativistas, por interesses individuais. Somos não só “perturbados”, por essas vozes, mas muitas vezes, confundidos e iludidos. Essas, não são vozes apenas que nos perturbam, mas que também nos deixam, a cada dia, mais surdos.
Somos salvos por uma voz. Essa, porém, não uma qualquer, mas é uma “voz que clama no deserto”. E o que diz essa voz? “Preparai o caminho do Senhor” e não só isso, mas também “preparai as veredas para ele”. Que caminho é esse? Que veredas são essas que devemos preparar? Que Senhor é este que estamos para acolher?
O valor dessa voz não está em si mesma, mas por que é pronunciada do deserto. Deserto que é local de silêncio, de provação, mas também da manifestação de um Deus providente. Um local onde somos colocados diante de uma humanidade latente, sem desculpas, discursos ou poderes. É, portanto, uma voz purificada no valor de uma vida provada e confirmada, um silêncio que permite à Palavra de Deus.
Que caminho é esse? Muito mais do que um caminho horizontal em relação aos outros ou vertical, em direção ao alto, esse trajeto é interior. “Preparai o caminho do Senhor”, diz a Voz. O caminho não é nosso, o projeto não somos nós quem definimos, mas o Senhor mediante a Sua Palavra. Esse é um caminho de uma humanidade a ser purificada de muitos discursos que querem endeusá-la.
Que veredas são essas? São caminhos que estão tortos, com muitos ramos que impedem a passagem, pedras que dificultam o caminhar, animais peçonhentos que querem tirar a “vida” de quem passa por aí, por pequenos que sejam. Precisamos limpar essas veredas, retirar tudo aquilo que impede essa passagem, purificar esse espaço para que esse encontro se realize de forma plena.
Que Senhor é esse que quer atravessar essas veredas? Arriscar-se a se sujar nesse trajeto ou a sofrer nesse caminho de descida e humilhação? Que Senhor é esse que espera que essa limpeza seja feita e não sai de nossa entrada até que nos abramos para a sua passagem?
Esse é um Senhor que espera o nosso “Sim”, humilha-se e rebaixa-se a esse projeto de nos mostrar o caminho que nos leva para a Vida Plena. Esse caminho é aquela voz que, apontou a Palavra, Verbo que, pronunciado na história, aguarda a nossa abertura. Essa Voz, feita Palavra, pronunciada como Verbo nos faz uma pergunta. O que espera? “Faça-se”.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sábado da I Semana do Advento

Domingo, 04 de dezembro de 2011 

Vendo a multidão, sentiu compaixão dela (Mt 9, 36)

Celebrar o advento, não é apenas desenvolver um movimento de preparação e espera, mas principalmente viver essa experiência do Deus que vem até nós. Nosso “movimento” deve ser de agradecimento ao Deus que se compadece de nossa humanidade e vem até ela. Sua Palavra, pronunciada na história é uma prova disso: Deus não vem para condenar, mas para salvar os homens.
A encarnação do Verbo de Deus nos coloca diante do mistério de uma justiça que se faz amor. E, para não contradizer-se a si mesma, busca a salvação dos homens fazendo-se humana. A ordem dada aos discípulos reflete essa preocupação: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10, 6). Deus vem para salvar os homens, sua Palavra é Vida.
Esperemos esse mistério que é construído dentro de nossos corações. Ele ultrapassa a compreensão humana quando apresenta um Deus que se faz carne e não se coloca acima dos seus, mas ama-os ao ponto de fazer-se igual em natureza. Jesus compadece-se da multidão, mais do que isso, Ele ama-a, e por isso assume uma humanidade para que vivendo-a, plenifique-a.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sexta feira da I Semana do Advento

Sexta, 02 de dezembro de 2011
E se abriram os seus olhos (Mt 9, 30)

Aqueles homens, privados da visão buscavam um caminho. “Filho de Davi, tem piedade de nós” (Mt, 9, 27). Afirmando Jesus como “Filho de Davi”, eles reconheciam a autoridade de Jesus, a sua superioridade e a plenitude da promessa feita por Deus a seus pais. Jesus não é um “homem de milagres”, um “pop-star” ou um grande “guru”, ele é a Plenitude da Palavra de Deus.
A partir do momento que conhecemos Jesus como ele é de fato, isto é, Verbo do Deus Pai, nossos olhos se abrem a uma nova realidade. O milagre não ocorre apenas em uma ação unidirecional, mas é sempre movimento de encontro, nós buscamos Deus e ele vem, “desce”, ao nosso encontro. “Seja feito conforme a vossa fé” (Mt 9, 29). É Jesus quem pronuncia a Palavra de Salvação, mas mediante a nossa fé, nossa abertura a essa ação que sempre se dá como mistério.
Diante de um mundo de tantas imagens que se fazem luzes e, muitas vezes, nos cegam, busquemos Cristo, Imagem de Deus Pai, e busquemos nele a via correta e direta para a nossa vida plena. Caminhemos nessa via em busca de Jesus e, mesmo incertos ou inseguros em alguns momentos, vejamos nele a possibilidade de uma nova compreensão do mundo e da vida, um novo e perfeito olhar.