quinta-feira, 29 de março de 2012

Quinta feira da V Semana da Quaresma

Quinta, 29 de março de 2012

“Antes que Abraão existisse, Eu sou” (Jo 8, 58)

A identidade de Jesus, apresentada por João o revela como a Palavra de Deus que ultrapassa o tempo, porque está fora dele. É por Cristo e em Cristo que toda a história da salvação ganha um sentido pleno e definitivo. Sim, ele é maior do que Abraão pelo fato de que, nele, a promessa é cumprida.
Reconhecer Jesus como Deus é redescobri-lo em categorias que ultrapassa as nossas compreensões históricas. Por mais que busquemos “abraçá-lo”, defini-lo, ele sempre escapará de nossas mãos. Resta-nos conformar-nos à sua pessoa, buscar adequar-se ao caminho apresentado por ele e gozar da alegria que consiste em estar em comunhão com Deus.
Fortalecei, Senhor, os nossos corações para reconhecer Jesus como verdadeiro Cristo, Palavra que, pronunciada no tempo, o ultrapassa, dando-lhe sentido. Que nossa existência seja permeada dessa presença viva e constante de sua Palavra que é luz, verdade e caminho de santidade.

Quarta feira da V Semana da Quaresma

Quinta, 29 de março de 2012

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32)

Verdade é a correta adequação de um pensamento à realidade. A compreensão do mundo em seu verdadeiro sentido e em sua ordem real consiste verdade. Cristo é a Verdade porque, por meio dele o mundo é Criado. Como Verbo de Deus, ele dá realidade e ordem ao mundo.
Não conhecer a verdade significa distorcer a realidade na qual vivemos, permanecer em um contexto formado por conjunções equivocadas de mundo. Isso nos torna prisioneiros de celas que foram criadas pelos erros. Habitar em categorias falhas, como são as nossas, nos faz correr o risco de nos aprisionar em um mundo irreal.
Libertai-nos, Senhor, de tudo aquilo que nos distancia da compreensão de vossa Verdade. Que o mundo que muitas vezes buscamos criar seja substituído pela verdade do vosso Filho Jesus. Que a nossa vida seja reflexo do teu projeto de salvação, à luz do teu Verbo Eterno que entrou em nosso tempo fazendo-se verdade libertadora.

terça-feira, 27 de março de 2012

Terça feira da V Semana da Quaresma

Terça, 27 de março de 2012

“Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘eu sou’” (Jo 8, 28)

A grande revelação de Deus ocorre no alto da cruz. O mistério de Cristo que entrega-se ao sofrimento e à morte, abrindo seus braços e entregando a sua liberdade ao projeto do Pai revela a sua própria divindade. O mesmo Deus que cria a humanidade sob a ação do Verbo, a redime por meio dele.
Esse mesmo Deus que se entrega para nos salvar, nos mostra o grande sinal do seu amor: o sacrifício da cruz. É pela entrega livre de um homem que a salvação entra em nossa humanidade. Pela cruz, o sofrimento humano ganha um novo sentido. É nela que o Cristo revela-se divino, é por meio dela podemos realizar o mesmo caminho rumo à vida.
Fazei, ó Deus, que reconheçamos e utilizemos a nossa liberdade para a nossa salvação. Que possamos ver em Cristo essa glória que resplandece e ilumina a nossa vida em nosso caminho de santificação. Que a cruz seja para nós um sinal de glória, de exaltação de todo aquele que entrega a própria vida, conformando-se ao caminho querido por Deus.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Anunciação do Senhor

Segunda, 26 de março 2012

“Para Deus nada é impossível” (Lc 1, 37)

A anunciação do Anjo àquela Virgem em Nazaré está cercada de uma verdade fundamental de nossa fé: Deus faz surgir vida onde não acreditamos. As grandes figuras da história da salvação nascem em situações que não se esperam: mulheres pobres, gente simples, jovens imaturos, velhos, deficientes, viúvas e virgens...
Isso nos mostra que Deus é o agente principal da história de nossa salvação. É do nada de nossas negações que ele faz brotar a vida. Deus consegue ver esperança, mesmo quando nós não vemos ou mesmo quando não há, pois seu querer é realidade. Assim sendo, o impossível torna-se concreto. A aparente realidade de morte é sempre transformada à luz de sua presença.
Que a oração de Maria seja, Senhor, também a nossa. Que possamos nos colocar a disposição de sua vontade para que o projeto de vida iniciado na criação e completado na redenção se cumpra em nossa história. Que a sua Palavra modele as nossas vidas e faça brotar luz onde só esperamos trevas, alegrias onde só sentimos dores, vida, quando esperamos morte.

domingo, 25 de março de 2012

A verdadeira morte


“Se o grão de trigo não morre, permanecerá só,
mas se morrer, produzirá muitos frutos” (Jo 12, 24)

A aparente glória prometida pelo mundo é sempre material e, como tal, passível de destruição. Riquezas, fama, reconhecimento, prazeres, honras vêm como algo que preenche a humanidade, dão vida a uma matéria sem sentido... Porém, todos esses bens podem ser roubados, substituídos, esquecidos, empobrecidos, ou seja, gerar nessa mesma matéria um espírito de morte, maior até do que o caos anterior.
Jesus, como filho enviado por Deus, revela uma lógica contrária à apresentada pelo mundo atual. “Se o grão não morre, permanecerá só” (Jo 12, 24). A morte, mais do que uma perda, é uma passagem de uma realidade para outra. Um passo adiante de nossa humanidade que vai além de sua matéria para algo superior. Caso contrário, permanecerá sempre o mesmo, sujeito à contínua corrupção material, corrupção dolorosa e eterna.
“... Mas se morrer, produzirá frutos”. Não somos uma matéria eterna, toda a existência humana perderia todo o seu sentido se o seu fim ultimo fosse a destruição plena. A morte que gera fruto é aquela que ultrapassa a dimensão material que entra no coração humano e o faz compreender que a vida não criada para ser “extraviada” ou “experimentada”, mas é projeto de mundo em ordem, que caminha para o Bem.
Jesus cumpre e revela a promessa de Deus Pai, não por algo externo, mas pelo seu próprio nome, pelo Verbo que ele mesmo pronunciou no templo. “Chegou a hora em que o filho do homem será glorificado” (Jo 12, 23). A promessa da cruz é a realização pela dessa morte que gera vida, morte que redime, purifica e santifica uma humanidade que estaria morta pelo seu pecado.
A grande glória do Pai revela-se no alto da Cruz, com o Filho de braços abertos, entregue para a nossa salvação. “Eu o glorifiquei e glorificarei novamente” (Jo 12, 28). Encarnando-se, Jesus revela o mistério da grandeza e da simplicidade de Deus, morrendo, o seu projeto de redenção de todo o homem que o buscasse.
“Quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). Sim, a Cruz, antes símbolo de morte ganha um novo sentido em Cristo. É no alto da cruz que ele entrega humilhado, na obediência e por amor, a sua vida. Como a semente, ele deixa que seu corpo seja quebrado, destruído, para que algo novo brote do seu centro. Dele, nasce a árvore da vida, árvore que perdemos com o nosso orgulho, mas que recuperamos pela dinâmica de sua morte.

sábado, 24 de março de 2012

Sábado da IV Semana da Quaresma

Sábado, 24 de março de 2012

“Ele é o Cristo!” (Jo 7, 41)

Por que aqueles homens não acreditaram no messianismo de Jesus? Por que eles não acreditavam que Jesus era o verdadeiro Cristo, ungido, escolhido e enviado de Deus? Na verdade, o que eles tinham dificuldade em acreditar era no fato que a promessa realizada por Deus seria cumprida a partir da própria história humana em sua dinâmica.
Esperar que a salvação “caia” do céu é fugir de nossa responsabilidade por construí-la, contribuindo com a graça de Deus para que a vida realmente brote em nossa vida. Sim, o Cristo nasce em nossa história, e apesar de nossa limitação em conhecê-lo ele se faz presente em nossa realidade e continua a nos mostrar o projeto do Pai.
Fortalecei, Senhor, o nosso coração com a coragem necessária para contribuirmos com vosso projeto de vida em meio aos homens. Que nesse tempo de quaresma, possamos superar o nosso eu individualista e nos abrir ao mistério do Cristo que revela o vosso amor de Pai e abre-nos as portas para a comunhão filial do único amor.

Sexta da IV Semana da Quaresma

Sábado, 24 de março de 2012

“O Cristo, quando vier, ninguém saberá de onde é?” (Jo 7, 27)

Conhecer a pessoa de Jesus vai além de vai além uma lógica humana. Reconhecer que ele é uma figura histórica, que apresenta ao mundo um modelo de vida não basta, é preciso reconhecê-lo como Cristo, como enviado e ungido por Deus, Messias Salvador da Humanidade.
Temos dificuldade de reconhecer a pessoa do Cristo e as consequências que essa opção implica por que o reduzimos a uma figura social, histórica psicológica. Esquecemos que, como filho gerado do Pai, ele faz parte de sua divindade, é Deus. A consequência disso é que, quando nos distanciamos dele, nos afastamos do verdadeiro Bem que consiste em estar em comunhão com Deus.
Dai-nos, ó Deus, um coração aberto para compreender o mistério de Cristo como Messias enviado. Nascendo em uma história humana, ele ensinou-nos que a promessa de um rei segundo o coração de Deus é cumprida, não segundo as nossas esperanças, mas pela Verdade do Deus que santifica e salva o povo que ele ama.