quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quinta feira da I Semana do Advento

Quinta, 01 de dezembro de 2011
“Não é aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’,
mas aquele que faz a vontade do Pai que está no céu” (Mt 7, 21.24-27)

Nesse tempo de espera somos colocados diante do Deus que se revela à humanidade por meio de Jesus. Não estamos mais diante de Palavras, mas de fatos: O verbo que se faz carne. Não caminhamos firmados em uma filosofia, uma proposição espiritual ou uma postura psicológica, caminhamos com alguém rumo à Alguém.
É esse alguém, que transforma a minha fé em um caminhar até um Deus que deseja dar-me a vida Plena. Caminhar nessa direção é saber ver em Cristo o objeto material de minha fé. De fato, Deus está no meio de nós e partir desse encontro somos chamados a uma nova postura: viver sob essa rocha (Cf. Mt 7, 24). Em Jesus, vemos que a Palavra de Deus não está além de nossas possibilidades, é uma Palavra que se faz humanidade – e a refaz.
Tenhamos a coragem de assumir esse caminho firmado sob a rocha. Por meio dele, sabemos que não andamos na obscuridade de verdades incertas, mas na via justa traçada pelo Pai. Entremos na dinâmica da obediência do Filho que assumiu a nossa humanidade e nos dá a herança de uma vida Santa quando nos aponta que a estrada que nos porta a Deus é mais humana que imaginamos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quarta feira da I Semana do Advento

Quarta, 30 de novembro de 2011

“Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus” (Mt 4, 20)

A chamada de Jesus apresenta duas dimensões complementares. A primeira exige uma entrega integral da própria vida. A segunda propõe o fato de que seguir os passos de Jesus não implica sair de nossa própria história, pelo contrário, nossa existência é iluminada à luz desse chamado. Tudo isso é fundamentado em um princípio definitivo: essa chamada não exige argumentação.
Seguir Jesus não implica, portanto, mais um modo de agir ou pensar, mas ver o mesmo mundo e as nossas ações sob uma nova perspectiva. De fato, a Palavra que se faz carne nos ensina que Deus continua a falar aos homens, nos dá uma Palavra de Vida e essa Palavra é viva e presente em nossa história. Deus não fala em uma esfera alheia à nossa, ele é presença viva e quer que nós também gozemos dessa alegria.
Saibamos olhar para o chamado de Cristo não como um sacrifício ou negação de nossa história, mas com uma confirmação fundamental de nossa existência. Sob à luz da Palavra de Deus, o homem é chamado a uma nova perspectiva de sua história. À luz do verbo que se fez carne somos chamados a olhar a plenitude de uma vida que nasce a cada momento em nosso tempo e espera ser encontrada.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Terça feira da I Semana do Advento

Terça, 29 de novembro de 2011

“Beatos são os olhos que vêem isto que vocês vêem” (Lc 10, 23)

O grande mistério do Advento é sintetizado na esperança da encarnação do Verbo de Deus. A grande esperança no Messias se torna plena nesse fato: Deus, de fato, se faz presente no meio de nós, não mais com palavras, mas em forma humana. Admiramos esse fato, mas até que ponto o aceitamos?
Muitas vezes buscamos uma palavra que dê força e sentido à nossa vida, pedimos a graça de ouvir, entender e aceitar essa via de felicidade. Porém, o que acontece é que quando essa Palavra nos é dada, não estamos prontos para ouvi-la, entendê-la ou aceitá-la. Isso porque ela vem de uma forma que não estamos esperando ou que não queremos abraçar.
A encarnação de Jesus sintetiza esse movimento de uma Palavra que foi dada no tempo e na história, mas que não foi aceita por muitos. Ela, não foi aceita não pelo fato de ser Palavra de Deus, mas porque veio de uma forma que os homens não esperavam. O Filho de Deus, que nasce em uma manjedoura, gerado por uma jovem desconhecida é motivo de confusão para aqueles que esperavam um reino humano.
Olhemos para o mistério do Advento que culmina no nascimento de Jesus como tempo de preparação. De fato, precisamos preparar bem o nosso coração para receber a Palavra de Vida que tanto buscamos, mas que vem de uma forma que não esperamos, de um modo que não entendemos e em uma hora que não planejamos, porque é mistério divino.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Segunda feira da I Semana do Advento

Segunda, 28 de novembro de 2011

“Muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos Céus” (Mt 8, 11)

A grandeza de fé daquele soldado estava na esperança que ele tinha na Palavra de Jesus. Ele não esperava que Jesus realizasse um fenômeno extraordinário de cura, apenas a sua Palavra bastaria. Essa Palavra vai além de uma expressão que sai “da boca para fora”, é Palavra pronunciada pelo próprio Verbo de Deus e, portanto, possui toda a autoridade.
Em um mundo de tantas palavras, ficamos confusos, quase surdos, sem saber o que ouvir definitivamente. As palavras são múltiplas, variadas, com diversos objetivos, diversos sentidos de ser, múltiplas formas, muitas intenções. É difícil, nesse emaranhado de vozes, ouvir uma Palavra de Vida Plena. Porém, foi esse o movimento realizado por aquele homem: “diga somente uma palavra e o meu servo será curado” (Mt 8, 8).
Peçamos ao Senhor a graça de ouvir essa Palavra de Vida Eterna. Sabemos que é difícil em um mundo de muitos sons. Porém, peçamos a graça não só para ouvir, mas para saber distinguir das outras vozes e entender o que ela ensina. Somente ouvindo e entendendo, seremos capazes de confiar em sua autoridade e segui-la, sem muitas justificativas ou argumentações.

Esperança no Senhor



“Isso que eu digo a vós digo a todos: ‘Vigiai’” (Mt 13, 37)

O Tempo do Advento é eminentemente tempo de Espera. Aguardamos ansiosamente a vinda do Filho do Homem, Verbo que se faz Carne, entra na humanidade e apresenta definitivamente a Palavra de Deus. É tempo de preparação, esperança de que Jesus se faça presente em nossa humanidade, alegria com a plenitude da comunhão entre Deus e homem.
O Evangelho nos aponta para a realidade da vigilância. Esperamos a plenitude da comunhão entre Deus e os homens, não por um contato recíproco, mas por uma livre e amorosa manifestação de Deus por meio de seu Verbo Eterno, Jesus Cristo. É Deus que vem até nós. E é exatamente essa vigilância que faz com que essa Palavra não passe por nós e não gere uma conversão de vida, ou seja, preencha a nossa existência.
A imagem do Dono da Casa é capital para que nós compreendamos a nossa verdadeira relação com Deus e, conseqüentemente, nossa verdadeira identidade. Não somos donos de nós mesmos, não temos o direito absoluto sobre a nossa vida, nossos conhecimentos, ou nossas vontades, somos administradores de uma existência que pertence a uma realidade absoluta, que vai além de nós mesmos, ou seja, Deus. Ele é o verdadeiro dono de nossa casa.
A vigilância apresentada por Cristo nos ajuda a compreender que não podemos viver de modo alheio, como se fossemos donos de tudo, definidores do bem e do mal. Precisamos de princípio, nortes, paradigmas, enfim, uma Palavra de Vida. E é essa Palavra que dá ordem ao nosso cuidado com a vida, faz com que nossa administração siga um norte, siga os projetos daquele verdadeiro dono, aquele que verdadeiramente conhece todos os espaços dessa nossa habitação.
Ser vigilante é fugir de qualquer falsidade, é não agir conforme agrada o patrão, só para não ser castigado. Não só trabalhamos em função desse “senhor”, mas também usufruímos dos frutos dessa administração, participamos das riquezas dessa experiência de vida que torna-se agradável quando é natural. Tornamos a nossa vida muito mais feliz quando essa atividade se desenvolve de forma natural, sem artificialismos ou legalismos, mas na contínua obediência à Palavra do Senhor.
Abramos os nossos ouvidos para essa Palavra, saibamos esperar por esse Senhor, que vem ao nosso encontro e pede contas de nossas ações, não em forma de cobrança, mas na esperança de entrarmos em sua plena alegria. Alegria que torna-se comunhão plena com as riquezas daquele que, de Patrão, se faz Pai e ama-nos como verdadeiros Filhos.

sábado, 26 de novembro de 2011

Sábado da XXXIV Semana do Tempo Comum

Sábado, 26 de novembro de 2011
“Portanto, ficai atentos e orai a todo o momento” (Lc 21, 36)

O texto nos apresenta uma necessidade tão esquecida em nossos dias: a perseverança. Viver na expectativa da chegada do filho do homem nada mais é do que estar em constante prontidão, sempre dispostos a esse julgamento. A vida de graça, tão esquecida nos dias de hoje, nada mais é do que uma existência que esquece a constância da fé que se abraça, do seu sentido e das conseqüências que ela implica.
E um mundo que prega uma vida frenética, o “aproveitamento” do dia como se fosse o último, esquecemos de que não somos objetos, não fomos criados para ser “gastados”, mas modelados, aperfeiçoados. Temos muito mais do que matéria e é esse “além” que nos torna homens capazes de perfeição. Isso, porém, implica busca, luta, sacrifício, constância no viver uma experiência diversa da que somos acostumados, uma vida com os olhos no Fim.
A pergunta que podemos fazer é: e se o dia do nosso juízo fosse hoje, se fossemos chamados a “prestar contas” de nossa existência ao Justo Juiz, que portaríamos? Apenas uma vida cheia de sentimentos, múltiplas experiências? Muitos caminhos, mas nenhum fim?
Viver a vida como se fosse o último é viver como se o nosso julgamento fosse hoje. O tempo, construído do passado que me constitui e do futuro que me motiva, se relativiza, ele desaparece diante de Deus. Viver, portanto, nessa esperança, é estar na história, apreender os seus mecanismos, mas também saber ir além dela e olhar para aquela Palavra que foi pronunciada no tempo, mas rasgou-se com o mistério da morte e ressurreição.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sexta feira da XXXIV Semana do Tempo Comum

Sexta, 25 de novembro de 2011
“[...] essa geração não passará até que tudo isso aconteça” (Lc 21, 32)

O evangelho apresenta a realidade o Reino de Deus como um processo natural na humanidade. Ele vem, quer o homem queira ou não. Não é apenas uma realidade escatológica, em um tempo futuro, embora que sua plenificação se dê no “fim dos tempos”. Todos verão esse projeto acontecer.
Esse Reino é manifestação de um Deus vivo, presente na história. Essa presença se realiza mediante a sua Palavra, encarnada em Cristo. Manifesta a presença de um Reino atual, com um só Senhor, um só povo e uma única verdade: Deus salva.
Toda essa mensagem nos faz compreender que não somos deuses, não somos definidores do bem e do mal, não temos a capacidade, em nós mesmos, de dizer o que é bom ou ruim para as nossas vidas. Só Deus Pai tem essa Palavra de Vida Plena, nele está a árvore da vida que perdemos pela desobediência.
Nesse sentido, viver a Realidade do Reino que todos os dias pedimos é reconhecer Deus como Senhor de nossa história, é conformar a nossa existência à Palavra que nos porta à salvação. Jesus é esse grande arauto do Reino que já é presente, e necessita apenas de nossa adesão ao seu único e absoluto Senhor.
Abramo-nos a esse Reino, tornemos nossa a Palavra que todos os dias professamos: “Seja feita a Sua vontade”. Saibamos colocar a nossa vontade sempre nos planos de Deus, que a minha vontade seja a de Deus, que o meu movimento esteja sempre em direção a Ele. Conformemos a nossa vida a Jesus, Verbo Eterno, Palavra constante. Ele que, pela obediência ao Projeto do Pai, glorificou a sua vida e trouxe-nos a salvação.