domingo, 27 de janeiro de 2013

“Os olhos de todos na sinagoga estavam fixos nele”

III Domingo do Tempo Comum
27 de janeiro de 2013


“Os olhos de todos na sinagoga estavam fixos nele” (Lc 4, 20)

O evangelista Lucas inicia a sua narração apresentando um princípio fundamental daquele que anuncia: o seu testemunho parte de um dado histórico. A escrita e o ensinamento é posterior a sua experiência. A sua palavra porta consigo um conteúdo de vida. O que se ensina não é uma filosofia de vida, um método de santidade, ou um caminho de bem estar. O conteúdo de seu anúncio é o evento culminante da história humana: Deus se faz presente em nosso meio por meio de Jesus.
É nesse mesmo sentido que Jesus volta a Nazaré, “onde se tinha criado” (4, 16). Somente partindo desse evento histórico podemos compreender a aproximação de Deus em nossa humanidade. Deus não se limita à sua transcendência, mas deseja comunicar-se com os homens e revelar o seu projeto de salvação aos homens. Mas como ele revela essa salvação? Por meio de quem ou de que?
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu, para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (4, 18). Eis o grande evento: Jesus cumpre a promessa de um Messias, o ungido do Senhor, aquele que viria salvar definitivamente o povo de Israel. Anunciando a Boa Notícia, libertando e iluminando os homens. É Verdade enquanto anuncia a verdadeira identidade do homem como filho de Deus. É Caminho enquanto liberta o homem dos pecados e dá a ele a possibilidade de realizar um novo caminho. É vida enquanto ilumina, dá novo sentido aos passos humanos, um trajeto e um fim a ser cumprido.
Em um mundo que nos apresenta tantos caminhos, desvios, atalhos, somos chamados a olhar para Cristo como único caminho que nos porta à verdadeira vida. Esse caminho não é ideal, mas se realiza em nossa história, no hoje de nossos projetos, de nossas metas cotidianas. Um caminho que, mesmo sendo firme e certo, nem sempre é claro, nítido aos nossos olhos limitados.
Saibamos manter os olhos fixos em Jesus. Ele é princípio e fim de um projeto humano que nos porta definitivamente a Deus. Nele, se concentra toda a nossa humanidade, ferida, limitada, mas marcada pelo amor de Deus que cura e restaura todo aquele que o busca de coração livre, decidido e sincero.

sábado, 26 de janeiro de 2013

“Ele está ficando louco”

Sábado da II Semana do Tempo Comum
26 de janeiro de 2013

“Ele está ficando louco” (Mc 3, 21)

A missão de Jesus era realmente fora de todas as categorias humanas e até mesmo racionais. Ele não buscava agradar àqueles que estavam ao seu redor, nem dizer palavras de conforto àqueles que necessitavam. Sua missão era proclamar a realidade do Reino de Deus.
Entrar nessa dinâmica de Jesus é assumir o que podemos chamar de “loucura da santidade”. É saber sair da lógica da humanidade que tenta construir homens à sua imagem e semelhança, todos iguais ou conforme o seu interesse.
Não podemos afirmar a nossa identidade agradando aos outros. É preciso assumir esse caminho conformando a nossa vida a Cristo, seguir os seus passos em uma loucura que tinha um único objetivo: realizar a vontade do Pai.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

“Ide pelo mundo inteiro...”

Conversão de São Paulo
25 de janeiro de 2013

“Ide pelo mundo inteiro...” (Mc 16, 15)

A instituição da missão dos discípulos por parte do Ressuscitado torna visível o caráter público de nossa fé. Os dons recebidos de Deus não foram dados para permanecerem fechados em nossa individualidade, mas são sinais que devem ser irradiados ao mundo.
Eis o grande significado da conversão de São Paulo, o seu zelo por Deus e pela lei foi purificado, chegou ao seu verdadeiro sentido por meio de Jesus, o nazareno. Todas as suas ações ganharam um novo sentido e um novo fim, ele assumiu, de fato, uma nova direção.
Deixemo-nos cair do nosso orgulho para experimentar a grande riqueza de ser filhos. Saibamos irradiar ao mundo essa luz que cega os olhos de quem ainda continua cheio de si. Transformemos nossa vida em sinal para que, por meio dela, possam ver a luz de Cristo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

“Eu vos chamo amigos”

Memória São Francisco de Sales
24 de janeiro de 2013

“Eu vos chamo amigos” (Jo 15, 15)

Os santos são foram aqueles que não pecavam ou que obedeciam cegamente a todas as normas da Igreja. Mas eram aqueles que tinham uma particular amizade com Cristo. Não era uma amizade servil, escrava ou prisioneira, mas livre, fundada no amor recíproco.
O verdadeiro amigo é aquele que conhece o outro. Conhecendo, sabe dos pontos fracos e fortes e quando pode ajudar. Essa relação, entretanto, se fundamenta na plena liberdade do outro. Fundada no amor, a verdadeira amizade não pode escravizar.
Abramos o nosso coração para uma verdadeira amizade fundada no amor de Cristo por nós. Ele não desfigura a nossa liberdade, mas, ao contrário, revela a sua verdadeira imagem. Somente ela nos faz participar da grande alegria que é estar em comunhão com Deus.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

“Entristecido pela dureza dos seus corações”

Quarta feira da II Semana do Tempo Comum
23 de janeiro de 2013

“Entristecido pela dureza dos seus corações” (Mc 3, 5)

A tristeza de Jesus é a mesma tristeza de um pai diante de um filho que o rejeita. A lei havia cegado os seus corações. A lógica do amor havia sido transformada em observância cega. Tudo isso inserido no contexto de uma intocável liberdade.
Deus afirma a nossa centralidade e superioridade na criação, confirma a nossa dignidade de Filhos prediletos, vem ao nosso encontro para nos santificar. Entretanto, com apenas um “não” podemos destruir todo esse projeto em nossa vida.
Deixemo-nos modelar-se por esse projeto de Filhos. Ele não vai além daquilo podemos realizar. Pelo contrário, ele realiza em nós tudo aquilo que somos. Nos dá uma integridade de homens criados à imagem de Deus.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado”

Terça feira da II Semana do Tempo Comum
22 de janeiro de 2013 

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado” (Mc 2, 28)

Nenhuma lei que Deus nos dá é para nos oprimir. Toda norma, por menor que seja tem a função de educar o homem de colocá-lo em um caminho determinado. É nesse sentido que ela é serva do homem, não sua dominadora.
É natural de nossa humanidade tender para o mais fácil, para o mais cômodo, para aquilo que não apresenta sacrifícios. A lei é pedagógica por nos faz caminhar, nos exercita para chegar a determinado fim.
Que nós possamos tomar posse das leis que nos são dadas e fazer delas, mecanismos de elevação de nossa humanidade. Ela ajuda a quebrar o nosso eu ferido pelo orgulho e afetado por um egoísmo que nos faz apenas permanecer parados em nosso próprio “eu”.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

“Eu quero, seja purificado”

11 de janeiro de 2013

“Eu quero, seja purificado” (Lc 5, 13)

Colocar-se aos pés de Jesus: essa é a única condição para a nossa purificação. Ele não coloca impedimentos ou restrições para nos curar, mas busca apenas o nosso sim, o nosso ato de fé em sua Palavra de Vida.
Deus não age contra a nossa liberdade, Ele não pode fazê-lo. A Sua postura é sempre de espera, aguardando-nos ir ao eu encontro para, só assim, nos acolher. As nossas curas são consequências de nossa opção por Cristo: só ele transforma morte em Vida.
Precisamos dar um passo à frente, ter a iniciativa de ir ao encontro do Filho de Deus e confiar em seu poder de restauração. É só no contato permanente com Deus que nossas inconsistências desaparecem fazendo surgir aquilo que é realmente humano.